Alegoria e luto de Ronaldo Fraga
Acostumado a resgatar personagens e momentos históricos e culturais para a
passarela, Ronaldo aborda o legado da bailarina Pina Bausch, morta em 2009,
para propor um olhar sobre a estética japonista do pauperismo dos anos 80 e
90, que dialoga com os espetáculos da artista. Franjas e flores de ráfia,
calças tipo clown, oxford shoes e sobreposições caóticas, como as de
mendigos, fazem parte do começo do desfile.
Inspirado em uma das apresentações em que a bailarina anda sobre cravos
vermelhos ameaçada por cães raivosos, desenvolve uma estampa floral usada em
náilon. Um dos muitos materiais sintéticos utilizados na coleção. Saindo dos
pretos surge o dourado efeito-purpurina, listras de alfaiataria com fios
metálicos e camadas de tule aplicadas e recortadas que acolchoam as peças de
forma artesanal.
Como Pina fazia, Ronaldo transcende o desfile como proposta de moda e faz um
final alegórico, com roupas-entidades, de flores e fitas coloridas de
plástico, dirige os modelos de forma menos óbvia e, pra variar, provoca uma
catarse na plateia.
















Sinceramente achei o desfilre muito feio.
Caótico mesmo….mas como é Ronaldo todos dizem “estar”lindo.