Ode ao modernismo
O prédio de concreto da Fábrica de Tambores, transformado na unidade modernista do Sesc Pompéia por Lina Bo Bardi em 1977, foi palco do desfile da Maria Bonita, que abriu este segundo dia de SPFW com apresentação outdoor nesta manhã de temperatura bastante agradável na cidade. Locação perfeita, já que a coleção com perfume minimalista presta homenagem à arquiteta ítalo-brasileira.
As referências ao trabalho de Lina aparecem principalmente no shape geométrico e nas linhas rígidas das peças, nas cores sempre blocadas e nos tecidos (especialmente a lã com quadradinhos vazados cortada à laser). Aqui, vale destacar o uso de um tecido levíssimo e transparente semelhante à organza, usada em calças com pegada esportiva – o tal tecido levou o título de material mais leve do mundo na última edição da Première Vision.
Apesar do mood conceitual, o inverno da Maria Bonita é usável, feminino e sexy na medida certa para quem busca fugir do trivial. Joias assinadas pelo designer Antônio Bernardo foram incorporadas à roupa, como os fios de prata que ajustam o capuz de uma das jaquetas, ou finalizando a produção, a exemplo do broche Mandacaru, que reproduz com exatidão o desenho da flor nordestina que Lina tanto apreciava.















